Uma das perguntas mais recorrentes de quem começa a estudar o mercado de leilões é também uma das mais simples de responder: e se na minha cidade não tiver imóvel bom disponível? A resposta direta é que a sua cidade de origem não precisa ser o seu mercado de atuação. O leilão de imóveis no Brasil é um mercado nacional, e com as ferramentas disponíveis hoje, operar em qualquer estado é não só possível como bastante comum entre investidores experientes.
Por que muitas regiões têm pouco volume de leilão
O volume de imóveis que vai a leilão numa região está diretamente ligado ao histórico de concessão de crédito imobiliário naquela área. Cidades menores, com mercado imobiliário menos desenvolvido e menos financiamentos concedidos ao longo dos anos, naturalmente geram menos retomadas e, consequentemente, menos imóveis em leilão.
Por outro lado, regiões com alto volume de financiamentos do Minha Casa Minha Vida, como o interior do Nordeste, Centro-Oeste e regiões metropolitanas do Sudeste, concentram a maior parte das oportunidades. Não por acaso, estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Bahia e Ceará sempre aparecem com grande volume de imóveis no portfólio da Caixa.
Operar remotamente é uma realidade consolidada
A digitalização do mercado de leilões eliminou a necessidade de presença física em praticamente todas as etapas do processo. O leilão em si já é online na maioria dos casos. A análise do imóvel pode ser feita com fotos atualizadas contratadas localmente por R$ 100 a R$ 200. A aprovação de crédito acontece pelo correspondente bancário sem necessidade de visita presencial. A assinatura do contrato de financiamento com a Caixa também já acontece de forma digital. E a gestão da reforma e da venda pode ser coordenada à distância com prestadores locais de confiança.
Esse modelo já está funcionando para investidores que operam em múltiplos estados simultaneamente, sem precisar viajar para cada cidade onde arrematam um imóvel. O que exige atenção é a construção de uma rede de prestadores confiáveis em cada praça onde você decide operar: alguém para fotografar e verificar o imóvel, um profissional para gerenciar a reforma e um corretor parceiro para conduzir a venda.
Como escolher em qual região investir
A escolha da região não deve ser baseada apenas no volume de leilões disponíveis. Outros fatores são igualmente importantes e podem determinar a diferença entre uma operação lucrativa e um ativo parado.
O primeiro critério é a liquidez do mercado local. De nada adianta arrematar um imóvel com 50% de desconto numa cidade onde os imóveis levam 18 meses para vender. Pesquise o tempo médio de venda de imóveis similares na região antes de qualquer lance.
O segundo critério é o perfil do comprador final. Se a maioria dos compradores daquela região usa o Minha Casa Minha Vida, você precisa conhecer os tetos do programa naquela cidade e precificar o imóvel dentro desse enquadramento. Um imóvel R$ 10.000 acima do teto local do MCMV pode ficar meses parado sem receber uma proposta.
O terceiro critério é a infraestrutura local. Cidades com polo industrial, universidades, grandes empregadores ou proximidade com capitais tendem a ter demanda habitacional mais estável e previsível do que cidades sem âncora econômica clara.
Regiões com bom potencial para quem está começando remotamente
O Entorno do Distrito Federal cidades como Luziânia, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Formosa concentra grande volume de imóveis populares em leilão com demanda de locação e venda consistente, impulsionada pela proximidade com Brasília. Os preços são acessíveis e o ITBI é mais baixo que em outros estados.
O interior do Nordeste, especialmente cidades médias do Ceará, Maranhão e Piauí, tem grandes volumes de imóveis MCMV retomados com tickets baixos e crescente demanda habitacional. O desafio é encontrar prestadores locais confiáveis para a gestão remota.
Cidades do interior paulista com polo industrial ou universitário, como São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Sorocaba e Campinas, combinam bom volume de leilões com alta liquidez de venda e base de compradores qualificada.
O primeiro passo para operar fora da sua região
Antes de arrematar o primeiro imóvel fora da sua cidade, dedique tempo para conhecer o mercado daquela praça. Conversar com dois ou três corretores locais por telefone ou videochamada, pesquisar imóveis à venda em plataformas de anúncios e entender o perfil de comprador da região são ações que custam algumas horas e podem evitar meses de imóvel parado. O mercado de leilões não tem fronteiras geográficas para quem opera com método.