No mercado de leilões, a viabilidade de uma operação não termina no arremate. Ela termina na venda. Quem compra sem saber para quem vai vender, em qual faixa de crédito o comprador se enquadra e quais são as condições de financiamento disponíveis para aquele perfil de imóvel e de comprador pode acabar com um ativo parado por meses sem entender exatamente por quê.
O problema específico dos imóveis na faixa de R$ 350.000 a R$ 600.000
Imóveis nessa faixa de valor de venda têm um perfil de comprador bastante específico: pessoas com renda entre R$ 9.600 e R$ 13.000 mensais, enquadradas na Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida. O problema está nas condições de financiamento para esse público nas regiões Sul e Sudeste do país.
Para imóveis usados nessa faixa de preço nas regiões Sul e Sudeste, a cota de financiamento pelo MCMV Faixa 4 é de apenas 60% do valor do imóvel. Na prática, num imóvel de R$ 500.000, o comprador consegue financiar R$ 300.000 e precisa ter R$ 200.000 de entrada. Para uma família com renda de R$ 13.000 mensais, ter R$ 200.000 disponíveis para entrada é uma exigência muito alta.
O resultado previsível é que esse imóvel vai ficar parado esperando um comprador com entrada alta ou com perfil de compra à vista. Dependendo da localização, isso pode levar muitos meses.
A solução que a maioria não conhece: SBPE em vez de MCMV
A linha SBPE, que financia imóveis fora do Minha Casa Minha Vida, tem condições diferentes para esse mesmo perfil de imóvel. No SBPE, a cota de financiamento pode chegar a 70% pelo sistema Price ou 80% pelo sistema SAC, o que reduz significativamente o valor de entrada exigido do comprador.
Isso significa que um imóvel que parece emperrado quando anunciado no MCMV Faixa 4 pode ter muito mais compradores quando a venda é estruturada pelo SBPE. A taxa de juros é um pouco maior, mas a exigência de entrada menor abre o mercado para um universo maior de interessados.
Saber disso antes de arrematar muda a análise de viabilidade. Um imóvel que você vai vender por R$ 500.000 em São Paulo pelo SBPE tem muito mais potencial de saída rápida do que o mesmo imóvel anunciado pelo MCMV.
Onde a venda costuma ser mais fácil
Imóveis com valor de venda até R$ 300.000 têm muito mais liquidez no mercado atual. O comprador desse perfil tem acesso a financiamentos com entrada menor, juros mais baixos e parcelas mais acessíveis. A base de compradores é maior, o tempo de venda é menor e o risco de ficar com o imóvel parado é bem mais baixo.
Essa não é uma regra absoluta: localização privilegiada pode viabilizar imóveis de ticket mais alto. Mas como ponto de partida para quem está montando sua estratégia, focar em imóveis com valor de venda previsto até R$ 300.000 reduz significativamente o risco de travar na etapa final da operação.
A análise que precisa acontecer antes do lance
Antes de arrematar qualquer imóvel, simule a venda. Defina o valor pelo qual vai vender, identifique o perfil de renda do comprador típico daquela região e simule o financiamento que esse comprador vai precisar. Verifique qual linha de crédito se aplica, qual é a cota máxima de financiamento e, consequentemente, qual é o valor de entrada exigido. Se esse valor de entrada for compatível com a renda que existe naquela região, o imóvel tem liquidez. Se não for, você vai esperar muito mais para vender.